Manoelito Martins faz sucesso internacional

Matéria publicada na seção Nossa Gente, no Jornal A Tribuna, Caderno Indústria, por Manuel Alves Fernandes

Manoelito Martins tinha 9 anos quando foi atraído pelo som de um violão, num estabelecimento comercial na esquina das avenidas Nove de Abril e Henry Borden, em Cubatão. “Quem tocava era o Damião, figura querida dos nossos meios musicais, integrante do Grupo do Toledo. Ele percebeu, e me perguntou: “Você toca?” Disse que não, mas que queria aprender. Damião não ensinava, mas mandou que eu procurasse o professor Carlinhos de Oliveira, no Conservatório Musical de Cubatão. “Vai lá e pede para ele tocar As Abelhas, de Agustín Barrios”. Fui. Carlinhos ouviu o meu pedido e sorriu ao saber de quem partira a sugestão. E me disse: “Rapaz, tocar As Abelhas é muito difícil!”. Mas tocou. A partir daí me apaixonei pelo violão. Trinta anos depois, Manoelito se recorda dos primeiros passos da sua carreira de “operário da música que trabalhou na feira, ganhou seu primeiro violão de Nair Onuki e saiu de Cubatão para viver o mundo, a partir do que aprendeu com Damião e Carlinhos. Já consagrado nos Estados Unidos, apresentando-se em roteiros turísticos de navegação nas linhas da Royal Caribbean International pelo Caribe e Pacífico, ele já gravou três CDs: My Brazil Sweet and Low; Manoelito by Request; e Lively and Lovely Sound of Manoelito. E retornou a Cubatão onde passa férias para gravar o quarto.

Manoelito nasceu na Vila Nova, filho de migrantes mineiros de Almenara (nordeste de Minas gerais): Maria de Lourdes e Manoel Martins Caires (já falecido). Estudou no Lincoln Feliciano, no Afonso Schmidt, no Conservatório Municipal e na antiga Fundação Lusíada (hoje Unilus) onde obteve a Licenciatura Plena em Música em 1995. Deu aulas em Cubatão e Santos (onde passou em um concurso na prefeitura, cancelado por um ex-prefeito).

“Já conhecia os Estados Unidos, em viagens promovidas pelo curso de inglês do Degenal Vieira. As coisas ficaram difíceis com o cancelamento do concurso. Disse a meu pai, que ficou em lágrimas: “Vou acordar de madrugada e viajar para os Estados Unidos, tentar uma vida melhor”. Lavou pratos, foi segurança em supermercado, vendeu material de limpeza para um indiano, até que foi convidado para dar aulas de violão em uma igreja evangélica. Ganhou o posto de Ministro da Música, o que facilitaria poucos anos depois a concessão do visto e do green card. Ganhou nome como violonista tocando em igrejas, festas, bares e navios, com variações de repertório. Graças às aulas de Carlos de Oliveira, tornou-se um virtuose. Em 2002, encantou um professor ao tocar a Valsa Venezuelana nº 3 de Antonio Lauro, ganhando uma bolsa para cursar a Universidade Metodista do Sul, nos EUA. Talento e sorte o seguiram. Pouco tempo depois, tocava na residência do presidente da American Air Lines, tendo entre os ouvintes um jornalista do Washington Post, que fez um artigo sobre a vida e o talento de Manoelito. Nos cruzeiros pelo Caribe, Golfo do México, Alasca e Havaí, conheceu um projetista da General Motors que o ajudou a fazer as capas dos primeiros discos que produziu, gravados no Brasil. Seu sonho é levar para os Estados Unidos a nova imagem da cidade de Cubatão, que, de mais poluída do mundo, transformou-se em exemplo de controle ambiental. “Gostaria de ter o patrocínio cultural de uma das empresas locais, através da Lei Rouanet, para produzir um vídeo, tendo minhas composições como fundo musical, mostrando a importância da história da minha cidade para a formação do Brasil.

A imagem que as pessoas de fora ainda têm de Cubatão parou na década de 1970. O meu objetivo seria mostrar a nova Cubatão e dizer: nasci aqui, entre a serra e o mar, num país que tem Villa Lobos, Pixinguinha, Ernesto Nazaré, Caetano, Chico e Luiz Gonzaga”. Ele quer mostrar a Estrada Velha, ao lado das indústrias, e contar que por ela circularam imperadores, figuras importantes do Império e da República. “A nossa Serra do Mar é muito exuberante, assim como os manguezais onde vive o guará-vermelho. Os monumentos ao longo da estrada, o Cruzeiro Quinhentista, símbolo de Cubatão, seriam um cenário perfeito”.