De Santos para o mundo

 

Santistas são nômades por vocação e também por destino em uma cidade que ainda não pode oferecer todas as oportunidades de desenvolvimento. Muitos espalharam-se pelo Brasil e pelo mundo, atrás de sonhos de futuro ou de realizações no presente. É uma constante desde há muito. Alguns saíram logo, ainda crianças, acompanhando as famílias; outros já adultos, atrás de novos horizontes. O traço comum é um permanente carinho pela cidade, um vício, um desmensurado amor.

Um espaço aberto para o mundo

Celso Amorim – Ministro das Relações Exteriores do Brasil desde 2003. Doutor em Ciências Políticas/Relações Internacionais, formado pela London School of Economics and Political Science, em Londres. Assumiu a embaixada brasileira no Reino Unido em 2001 e, em 2002, tornou-se chanceler. Já havia ocupado a mesma pasta em que é responsável atualmente em 1993.

Santos para mim não é apenas um retrato na parede, como no caso da Itabira de Drummond, embora eu também tenha fotos antigas da área portuária e do casario da cidade no início do século XX, em meu quarto. Nasci em Santos não por acaso, mas por um desejo expresso de minha mãe, que também era santista e considerava a cidade um espaço aberto para o mundo, além de centro dinâmico de ideias e de trocas intelectuais. Cidade de poetas e escritores.

Vivi em Santos até os dois anos de idade, quando meus pais se mudaram para Bauru, depois para São Paulo, e daí para o Rio de Janeiro. Meu avô materno, João Antônio Nunes, originário da Ilha da Madeira, emigrou aos 12 anos para Santos, tendo trabalhado como controlador de bilhetes na Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Mais tarde tornou-se importante livreiro (foi sócio do conhecido Bazar Paris) e teve como cliente, entre outros, Ruy Barbosa.

Meu pai, Vicente Amorim, sergipano de origem, foi para Santos no início da década de 1920, para ali trabalhar como corretor de café. Na última vez que estive em Santos com mais vagar, pude ver seu diploma de “comissário” da Bolsa. Tornou-se um apaixonado da cidade e do Santos Futebol Clube, a tal ponto que, ao morrer, aos 101 anos, foi enterrado com a camiseta do clube.

Santos tem para mim toda essa dimensão afetiva e familiar, de avós portugueses e espanhóis e ascendentes nordestinos, vivendo num lugar de encontro de culturas, que foi a atmosfera presente nas imagens de minha primeira infância.

 

Uma intensa inspiração

Araquém Alcântara – Fotógrafo. Tem 36 livros publicados e trabalhos que integram acervos como o do Museu do Café (Kobe, Japão), do Centro Georges Pompidou (Paris, França), do Museu Britânico (Londres, Reino Unido), do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e do Museu de Arte Moderna (MAM, São Paulo). Foi o primeiro fotógrafo a documentar todos os parques nacionais do país e também o primeiro brasileiro a produzir uma edição especial para a “National Geographic”, intitulada “Bichos do Brasil”. Já obteve 40 prêmios nacionais e quatro internacionais, entre eles o “Dorothy Stang de Humanidade”, em 2007.

Meu trabalho ganhou régua e compasso nessa terra que eu tanto homenageio. Tenho várias fotos de Santos em muitas partes do mundo, da Galeria Zoom, em Paraty, até a Wolfsburg, na Alemanha. Sou um cantador de Santos, é uma coisa irreal. A todo momento, estou divulgando Santos. Tenho uma relação de amor e ódio pela cidade. Amor por diversos motivos, e ódio pela mediocridade, pelo provincianismo, por saber que ela merece outro destino, pois há uma coisa retrógrada que expulsa seus talentos.

Santos está sempre presente no meu trabalho. É minha matriz criativa. Tudo surgia aí. O olhar sobre o ser humano. Isso está tão presente. A luz de Santos é extraordinária, a própria ausência dela é. Os ventos, o vento noroeste, o sol de verão, as nuvens. Essas coisas dos manguezais, a praia, o cais. Quando vou a algum lugar bem distante, é na conversa com os moradores que surgem as boas fotos. É conversando com um caboclo que fico sabendo onde posso fotografar um bela arara, raríssima, por exemplo. E isso eu aprendi em Santos, falando com o pessoal do cais, dos morros. Santos apaixona. É um intensa inspiração, a cidade, sua arquitetura, seus bangalôs, seus morros e sua gente. Faço um caminho amoroso por Santos, uma viagem sentimental no tempo. Estou preparando um trabalho em que vou unir pedaços de 40 anos atrás e pegar 40 anos à frente. Santos me provoca. Quando vou a Santos, não parece que estou retornando, porque eu “estou” em Santos.

 

Na bagagem, lembranças

Jorge Forbes – Psicanalista e médico psiquiatra em São Paulo. Um dos principais introdutores do pensamento de Jacques Lacan no Brasil, de quem foi aluno. Teve participação na criação da Escola Brasileira de Psicanálise, da qual foi o primeiro diretor-geral. Dirige a Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano – USP e autor de livros como Você Quer o Que Deseja?

“Nasci em Santos e aí vivi meus anos de formação, até os vinte e dois anos. Muita coisa continua em mim desse tempo, a começar pelo sotaque, que me faz sempre um semi-estrangeiro em São Paulo, onde vivo desde então. O mar, para mim criança, especialmente à tarde, quando os paulistanos de creme branco no nariz já tinham ido embora da praia, foi a base, por seu horizonte incalculável, de muitas fantasias que asfaltaram o meu futuro.

Aprendi em Santos o que é estarmos no mesmo barco, ou melhor dito, na mesma ilha, pessoas as mais diversas em idade, classe social e cor; a sociologia da praia nos igualava e me ensinou a riqueza de encontrar uma língua que fale com todo mundo. Quando hoje escrevo um artigo, escrevo para todas as turmas, da Ponta da Praia ao José Menino.

Especialmente, Santos me ficou nas pessoas: meus colegas dos colégios em que estudei, os mascotes do Santos Futebol Clube (éramos campeões mundiais, imaginem…), os grupos de teatro, os clubes, as festas – como tinha festa naquela época! -, o povo do continente e o povo do porto que iam e vinham, os amigos, os únicos amigos de infância que continuam sempre por perto.

Santos, um sanduíche de filé, no Almeida, de madrugada.

 

Rubens Ewald Filho – Além de jornalista e roteirista de minisséries e novelas, Rubens Ewald Filho é o crítico de cinema mais conhecido no país. Já comentou mais de 25 mil filmes em diversos veículos de comunicação como TV Cultura, onde tinha um programa sobre Cinema, Rede Globo e Folha de S.Paulo. Todo ano é convidado para comentar os indicados ao Oscar, o que o faz popular internacionalmente.

“Tenho uma relação muito carinhosa com Santos. Não consigo me imaginar sem a cidade. Acho mesmo que o amor pelo cinema nasceu porque ela sempre teve uma paixão especial pelo cinema, na minha época com inúmeras salas em todos os bairros, e ainda hoje é conhecida como a cidade do interior, não capital, que tem mais salas. Também sempre foi conhecida por ser um berço de talentos e também tive a sorte de estar cercado por gente talentosa e interessante. Acho divertido que meu pai tenha sido namorado de Cacilda Becker, que meu grupo tivesse gente como Ney Latorraca ou Neyde Veneziano e que fossem meus amigos Nuno Leal Maia e Bette Mendes… Ou seja, era o momento perfeito para crescer na cidade. Além disso, fui esportista, nadador do Saldanha da Gama, e fico muito triste em ver os clubes da Ponta da Praia decadentes. Isso é um crime. Enfim, o esporte foi uma ótima escola, uma maneira de me dar saúde e me ligar à paisagem de Santos. Meu irmão até hoje vive na cidade e eu a freqüento regularmente, por isso não tem como não amar Santos, não gostar de seu povo e, ainda por cima, torcer pelo Santos Futebol Clube, onde até hoje tenho a cadeira cativa, ou seja, sou santista até a medula e com muito orgulho disso”.

 

Carlos Monforte – Jornalista da Globo News, onde eventualmente conduz o programa Espaço Aberto. Atuou como âncora do telejornal Bom Dia Brasil em 1983. É líder da campanha MPLA (Movimento Popular de Libertação da Angola). Iniciou sua carreira no jornal santista A Tribuna, e já trabalhou em outros veículos de comunicação como o jornal O Estado de S.Paulo.

“Lembro muito dos bondes. Eu costumava pegar o bonde 4 para ir ao Colégio Canadá, onde estudei. O bonde era do tipo aberto, tinha vários deles pela cidade. Dá saudades. Lembro também da praia, eu costumava freqüentar a do Embaré. Nasci na rua Oswaldo Cóchrane, depois fui para a Ponta da Praia e retornei ao Embaré. Era um autêntico rato de praia.

Meu pai foi porteiro do Escolástica Rosa e eu estudei em duas escolas públicas conceituadas na época: a Luiza Macuco e o Canadá. Tinha até prova para entrar. No Canadá fiz o antigo clássico, no meio de uma turma praticamente de mulheres, mas tinha um colega de classe que era amigo do Rubens Ewald Filho, que começava como crítico de cinema. Acho que foi aí que despertou a vontade de escrever. Participei de concurso de poesias e contos pela escola, mas isso foi naquela época, depois que a gente começa a trabalhar não tem mais tempo para ficção.

Estava entre jornalismo e direito, até porque eram poucos os cursos que existiam em Santos. Fiz jornalismo, que então fazia parte da Faculdade de Filosofia, ali na Euclides da Cunha. Comecei a trabalhar em A Tribuna ainda no primeiro ano e em 1972 saí de Santos para fazer um curso na Espanha. Na volta, fui para o Estadão, em São Paulo.

Na Globo, cheguei a fazer uma matéria sobre a rota dos caminhões até o porto, mas atualmente é muito difícil eu ir a Santos, apesar de ter dois irmãos, sobrinhos e afilhado morando aí. É que quando vou a São Paulo é sempre rápido, acaba não dando tempo”.

 

Charles Möeller – Diretor teatral, cenógrafo, figurista e ator. Ao lado do cantor e compositor Cláudio Botelho desenvolveu a cena cultural de musicais no Rio de janeiro. Dirigiu comédias e dramas de sucesso de projeção nacional como As Malvadas, de 1997, que recebeu o Prêmio Sharp de melhor espetáculo, e O Casamento, que no mesmo ano conquistou o Prêmio Shell de melhor figurino.

“Os colégios onde estudei hoje nem existem mais. Fiz o colegial no Decisão, que ficava no Canal 2, e fiz a faculdade do Carmo, na Ponta da Praia. Eu me lembro que todos os dias eu saía do colégio e ai a pé até o Gonzaga, ao cinema, no Indaiá, no Indaiá-Arte. Na Cinelândia, tinha uma programação muito bacana,que me ajudou a me formar culturalmente. Eu me formei na primeira turma da Faculdade do Carmo, tinha professores muito bons, como Roberto Peres, Neide Veneziano e Renato Di Renzo. Foi quase por causa dele (Renato) que eu fui para a companhia do Antunes Filho (diretor de teatro). Renato me ajudou muito na vida, naquela época eu queira pensar como ele, ser como ele. Eu fiz minha primeira peça com a Neide Veneziano, eu era o protagonista de “O noviço”, que foi a primeira peça a ser apresentada no Teatro do Sesc. Na minha época, Santos fervia culturalmente. Semanalmente, havia uma peça no Teatro Municipal. O Antônio Fagundes, por exemplo, fez várias estréias nacionais em Santos. Muitos amigos meus de São Paulo vinham ver coisas em Santos. Era uma cidade que não se assombrava com a proximidade de São Paulo e tinha identidade própria. Era um refúgio interessante. Santos não pode só ser um balneário, tem que ter um cunho cultural. Não pode ser só um cartão-de-visitas, tem que ter pensamento, e o que dá isso é a cultura”.

 

Rafael Gomes – Graduado em Cinema pela FAAP, Rafael Gomes é o idealizador do projeto virtual Música de Bolso. Lançou em 2008 a série televisiva infanto-juvenil Tudo O Que É Sólido Pode Derreter, na TV Cultura, e foi o produtor do vídeo Tapa na Pantera, que obteve mais de 15 milhões de acessos só no site Youtube.

“Embora tenha nascido lá, só fui morar efetivamente em Santos aos 8 anos – e fiquei até os 18. Ou seja, meus anos de formação foram em Santos e acredito que a maior recordação que tenho deles é a de uma vida livre. Livre com possibilidade de convívio social e urbano sem os entraves que haveriam em uma cidade maior, como São Paulo. A qualidade de vida cotidiana, por assim dizer, era muito alta (o que eu percebo mais vividamente olhando hoje, em retrospecto). Na memória afetiva mais anterior, Santos estará eternamente associada às casas de minhas duas avós, onde passei a infância.

Talvez o mais marcante tenha sido a facilidade que sempre houve para ir ao cinema. Eu morava muito perto da avenida. Ana Costa, onde durante muitos anos estiveram concentrados todos os cinemas que havia na cidade, e isso me possibilitou ter ido centenas de vezes às sessões sozinho, enquanto adolescente, em dias de semana, durante a tarde. Aos fins de semana, por sua vez, eu ia ao cinema com minha avó, com a mesma obstinação. Sem dúvida esse assiduidade às salas de exibição foi o início da formação do meu repertório e do meu olhar como realizador”.

 

Manoelito Martins – Mora nos EUA, onde teve reconhecimento muito positivo pela imprensa local e do público. Em 2003 gravou dois álbuns. “Impressions” e “My Brazil Sweet and Low” pelo seu selo independente. Atualmente tem feito concertos em turnê pelos mares dos Estados Unidos, Canadá e México pela Royal Caribbean internacional.

“Em 99 eu decidi me aventurar nos Estados Unidos. Estava chateado, passei em concurso público, mas não pude assumir como professor de música da rede municipal porque o então prefeito anulou todas as nomeações. Nos Estados Unidos comecei tocando nas ruas, mas logo fui convidado para apresentações e participei como violonista e arranjador de peça de teatro e musical ópera e blues. Lá há muitas oportunidades, os músicos são mais valorizados, as coisas acontecem. Ganhei bolsa de violão clássico e performance para a Southern Metodist University e hoje, aos 41 anos, vivo em Dallas, no Texas, onde me apresento em concertos e recitais. Recentemente, encerrei turnê de oito meses pela Royal Caribbean International, percorrendo a costa americana, México, Canadá e Caribe.

Na verdade eu nasci em Cubatão, onde iniciou os estudos de violão clássico no Conservatório Municipal, mas minha memória afetiva esta ligada a Santos. Toquei no Sesc, no Teatro Municipal, na Concha Acústica, Pinacoteca. Pegava onda no canal 2 e tive o Cisco como professor. O surfe era mais para desestressar. Fiz licenciatura em música pela Fundação Lusíada e cheguei a dar aula em escolas municipais de Santos. Mas também tive, por um tempo, o Gilberto Mendes como professor. Nos Estados Unidos encontrei reconhecimento profissional, mas em Santos tive oportunidade de tocar, conhecer pessoas, ganhar confiança e credibilidade.

Voltei agora para gravar dois CDs independentes: “Lights & Lively Sounds of Manoelito” e “Manoelito By Request”, que serão lançados nos Estados Unidos com repertório brasileiro. Lá, em 2003, eu já tinha gravado outros dois álbuns – “Impressions” e “My Brazil Sweet e Low”, com peças de Tom Jobim, Garoto, João Pernambuco, Baden Powell, Nazareth, Luis Gonzaga, Djavan e outros clássicos da música popular brasileira. Esses álbuns podem ser encontrados no site da empresa de artistas independentes cdbaby.com”.

 

José Antônio Almeida Prado – Com 26 anos de idade Almeida Prado conquistou o primeiro prêmio do “I Festival de Música da Guanabara”, com a cantata “Pequenos Funerais Cantantes”, sobre texto de Hilda Hilst, o que permitiu-lhe um estágio para estudar na Alemanha e na França. Em janeiro de 2007, estreou no Carnegie Hall a sua peça Hiléia, Um Mural da Amazônia. Apresenta o programa Kaleidoscópio da rádio Cultura FM, que aborda faces da música contemporânea.

 

“Eu morei, na minha infância, na Rua Timbiras, 11. Fiquei até 1968, depois mudei para São Paulo e em seguida ganhei uma bolsa para estudar em Paris, onde fiquei quatro anos. Foi uma experiência prodigiosa com dois grandes mestres, Olivier Messiaen e Nadia Boulanger. Depois fui para a Unicamp, de 1975 até 2001. Mas nunca deixei de ser santista de fato e de coração. Tenho ótimas recordações de Santos. Aos 11 anos, eu tocava com Adelcy Paulino, mãe do meu amigo Eduardo Paulino, que hoje é um oftalmologista muito conceituado. Ela, no violino e eu ao piano. Tocávamos Mozart, Beethoven. Na minha infância, eu ia ao Coliseu, ia ver as preguiças na praça da Rodoviária (Praça dos Andradas). Santos é uma cidade maravilhosa. Os bondes, as praias. Não há nenhum lugar no mundo igual aos jardins da orla, exuberantemente bem cuidados. Aos 15 anos, eu ia ao bailinho do Clube Internacional. Essas recordações me inspiram. As cigarras no começo do verão, por exemplo. Eu achava um acorde moderníssimo. Tanto que eu começo “Cartas celestes nº1” com um agudo no piano que lembra o ruído de cigarras no começo do verão. É uma coisa muito comum em Santos essa polifonia de cigarras, um grande concerto.

Infelizmente, Santos não tem uma faculdade de música, é o único pecado mortal da cidade. As únicas coisas para as quais eu tiro o chapéu em Santos são o Conservatório Lavignac, o Ars Viva,que milagrosamente continua vivo, e ao Festival Música Nova, do Gilberto Mendes, que é como um irmão para mim.

Atualmente, estou compondo um enorme trabalho, uma obra orquestral de 1h15min que vai acompanhar um filme mudo francês de 1928, chamado “Estudos sobre Paris”, que vai ser executada pela Orquestra Sinfônica do Estado. O que eu mais tenho que fazer nessa vida é compor. Eu fiz “Santos, verão de 1958”, que é um memorial de meus 15 anos, quando ia à praia, ao Monte Serrat. Tem as cigarras, a cor do mar, os jardins da praia. Eu a compus para o pianista Antônio Eduardo executar, mas acho que ele não gostou… A obra está inédita. Quem sabe depois de me ver cobrando pelo jornal ele não resolva tocar…

 

Edson Arantes do Nascimento – Pelé

“A minha maior recordação é muito pessoal: eu jamais poderei esquecer o primeiro dia que cheguei a Santos, trazido pelo meu pai (Dondinho) e meu treinador, Waldemar de Brito, quando tinha recém-completado 15 anos. Fiquei tão deslumbrado com o mar que coloquei um pouco da água na minha boca que era para sentir se era salgada mesmo. Isso foi na praia do Gonzaga.

Os diretores e os jogadores do Santos FC me receberam com tanto carinho e atenção que eu acho que essa foi uma das razões de eu nunca querer sair do Santos FC para jogar no exterior. Como é do conhecimento de todos, eu tive muitos convites e propostas milionárias, mas eu nunca aceitei. As experiências mais importantes que eu realizei e mais me influenciaram foram as viagens que eu fiz com o Santos FC por todo o mundo e o que cresci culturalmente com elas, tendo contatos com diversos povos com costumes diferentes. Esse foi o melhor presente que Deus me deu. Nenhuma escola ou universidade poderia me passar essa experiência e cultura. Por isso, até hoje eu amo Santos de todo coração. Foi Santos que me fez tornar um dos cidadãos mais conhecidos do mundo. Muito obrigado a todos os santistas”.