10/2/2009
Livro sobre a história cubatense é lançado com patrocínio da Lei Rouanet
Há 476 anos, em 10 de fevereiro de 1533, Martim Afonso de Souza assinava uma carta de sesmaria em nome de Rui Pinto, que foi o segundo documento de doação de terras no Brasil e primeiro a citar o topônimo Cubatão. Essa história é uma das primeiras contadas no livro "Cubatão – Caminhos da História”, que foi lançado durante solenidade no Bloco Cultural do Paço Municipal de Cubatão.
A obra de 100 páginas, de César Cunha Ferreira, Francisco Rodrigues Torres e Welington Ribeiro Borges, foi produzida com apoio da Lei Rouanet e patrocinada pela indústria Carbocloro, sendo a sua tiragem integralmente distribuída a escolas e bibliotecas de todo o Brasil, bem como aos participantes da tarde de autógrafos então realizada.
A prefeita Márcia Rosa enviou mensagem em vídeo parabenizando os autores, enfatizando a importância de mais escritores produzirem trabalhos valorizando a cultura e a história de Cubatão, como esses servidores públicos, além de destacar a presença na solenidade do músico cubatense Manoelito Martins (que tocou diversas músicas durante o evento).
O vice-prefeito Arlindo Fagundes Filho ressaltou a importância das novas informações trazidas por esse livro, já que "toda a história do Brasil tem um pouco da história de Cubatão", exortando a que "novos autores se debrucem nas pesquisas e tragam novas contribuições para essa história brilhante como é a de Cubatão". Curioso confesso pelos aspectos da história da cidade, disse ser este "um dos livros mais completos" que já leu, além do mérito de ter sido escrito por pessoas que atuam no quadro funcional da Prefeitura.
Diversas autoridades participaram da cerimônia, como a secretária de Cultura e Turismo, Marilda Canelas. “A obra resgata a auto-estima dos cubatenses, deixando muito claro que Cubatão sempre foi muito mais que um caminho de acesso entre o porto e o planalto".
Francisco Torres citou as descobertas feitas durante as pesquisas sobre o ciclo da cultura da banana em Cubatão, bem como a planta da edificação do Pouso dos Tropeiros, até então desconhecida no Município. Destacou ainda as pesquisas que vêm sendo feitas há várias décadas sobre a história cubatense, sendo que as primeiras foram feitas pela professora Inês Garbuio Peralta.
O professor Cesar Ferreira abordou as questões geográficas tratadas na obra, enfatizando aspectos de Geografia Humana: os diversos contingentes de migrantes que afluíram à região nas várias fases econômicas, sua distribuição pelo território do município, os problemas urbanos daí surgidos e que persistem até os dias atuais.
Bananas: Uma das novidades do livro recém-lançado foi a descoberta, em antigos documentos do Arquivo Público do Estado de São Paulo, que o cultivo da banana em Cubatão é bem mais antigo do que se pensava, pois já é citado em ofício de 28 de março de 1837, enviado pelo capitão José Marcelino do Amaral ao presidente da Província de São Paulo, Bernardo José Pinto Gavião Peixoto, onde consta: "o falecido Capitão Antonio Mariano dos Santos, ali fez a sua plantação de arroz e um bananal, depois disto ficou largado, levantou capoeira alta..." Até então, pensava-se que havia iniciado por volta de 1870, logo após a inauguração da ferrovia entre São Paulo e Santos, a S. Paulo Railway.
Essa cultura se tornou tão importante que tanto o antigo brasão do município como o atual incluem duas folhas de bananeira entre seus elementos, e logo após a emancipação do município em 1949, os vereadores aprovaram a lei nº 12, que criava o Dia da Banana, comemorado no dia 23 de setembro de cada ano.